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Entrevista com Fernando Perez: tendências da logística para o pós-pandemia

O mundo está passando por um intenso processo de aceleração e com a Logística não é diferente. Os desafios impostos pelo cenário resultante da pandemia e as tendências para a área em uma realidade pós-pandemia confirmam que este processo deve se intensificar.

Entrevistamos Fernando Perez, Diretor de Negócios do Cone, que compartilhou conosco suas impressões sobre perspectivas para o próximo período e quais deverão ser as principais respostas a fatores como o aumento da demanda, a importância de atender a demandas específicas do mercado, além da necessidade imposta pelos novos perfis de compra para que as entregas sejam cada vez mais ágeis e eficientes.

  • Um dos principais efeitos da pandemia em diversos segmentos tem sido a aceleração de processos. Como isso se reflete na Logística?

É importante situarmos que a Logística começou a ser pensada da forma como conhecemos hoje durante as guerras mundiais, tendo iniciado na Primeira Guerra e, na Segunda, tornando-se uma questão de maior relevância. Em períodos de crise, é comum que a Logística registre grandes saltos e a história nos prova isso, porque ela é uma forma de solucionar crises.

Quando você precisa movimentar cargas e pessoas durante uma crise, é que se criam soluções melhores e adequadas. A pandemia representou uma grande crise mundial. Mais uma vez, houve a necessidade de aprimorar soluções, ou seja, nós estamos dando um salto ainda mais alto na evolução deste grande negócio chamado Logística. Houve uma aceleração em alguns processos que já vinham acontecendo, que deveriam levar cinco ou seis anos e estão sendo antecipados para um ano, até um ano e meio. A verdade é que nós estamos em um futuro antecipado.

  • Quais as perspectivas do mercado de logística para este período pós-pandemia? Podemos esperar um novo arranjo logístico global?

Especificamente neste período atual, ainda estamos vendo cenários de desarranjo. Os portos pelo mundo ainda convivem nos últimos meses com navios parados por falta de containers que estão alocados em outros portos por exemplo. Realmente, esse desequilíbrio entre oferta e demanda que aconteceu na pandemia fez com que surgisse um desarranjo total e ainda há necessidade de alguns ajustes.

Um exemplo local: em Pernambuco, temos a Jeep sem conseguir entrar em plena operação porque faltam componentes eletrônicos. Com o mundo globalizado, o que acontece na China nos afeta diretamente aqui no Brasil e é a Logística que conecta isso. O aprimoramento ainda não está completo, acredito que vamos precisar de 10 a 12 meses para que se tenha os ajustes necessários, nesse novo arranjo da logística global.

  • Quais áreas da Logística estão despontando e quais devem se apresentar como mais promissoras, no próximo período?

O mais visível para nós, principalmente para nós da América do Sul, que não estávamos com os patamares do segmento de e-commerce como Estados Unidos, Europa e China, houve uma enorme aceleração neste período. O e-commerce triplicou o seu volume de movimentação.

O que define basicamente hoje a compra não é mais apenas o preço, é especialmente o prazo de entrega. Então, a Logística ampliou sua importância para o comércio virtual. Hoje, quem tem a melhor logística é quem tem maior potencial de venda. E são várias as diferenças quando comparamos com a Logística tradicional, baseada em pontos de venda físicos. Da indústria, você trazia para estoques regionais, destes para os estoques locais e só então para o ponto de venda, o que representava altos custos, sobretudo com estoques parados.

A partir do momento em que um produto sai da indústria para o consumidor final, os pontos intermediários são eliminados, resultando em estoques mais baixos e na diminuição de possíveis falhas. Ainda há uma curva grande de aprendizagem necessária neste processo de adaptação ao novo modelo logístico de que o e-commerce precisa.

  • Quais são estes aprendizados?

Se olharmos o potencial de crescimento de vendas do Brasil comparado a outros países, ainda temos muito o que crescer. Além disso, o tamanho do nosso país é proporcionalmente muito maior que outros países, então o desafio logístico é ainda maior. A nossa base modal é rodoviária, fazemos 70% de transporte de mercadorias via caminhões, um modal mais caro e mais lento. O modal mais rápido é o aéreo, mas a nossa malha aérea ainda não está pronta para atender a essa demanda. Por isso, por exemplo, ainda não conseguimos realizar entregas rápidas como vemos acontecer em países como os Estados Unidos, onde é possível levar produtos de costa a costa em 24 horas, normalmente. A conexão entre modais é muito importante e ainda precisamos avançar muito em relação a isto por aqui. Temos muito o que ajustar.

  • Podemos destacar mais algum segmento que tem crescido rapidamente?

Outro segmento bastante importante e que vem crescendo com aceleração ao longo da pandemia é o de alimentos industrializados. Ele já vinha crescente, considerando a lógica vista em outros países. Está saindo de simples commodities, como frango congelado, para a oferta do prato pronto para o micro-ondas. É uma logística completa e que precisa de equipamentos específicos. Além de ter uma validade curta, é preciso manter a temperatura controlada durante todo o processo, tanto nas armazenagens como nos transportes e pontos de venda. É uma estrutura cara e que não é possível viabilizar em pouco tempo, inclusive porque a disponibilidade de equipamentos ideais no Brasil ainda é pequena. Este é um segmento que tende a aumentar e precisamos nos preparar para esta demanda.

A mesma coisa acontece, ainda, quando falamos sobre medicamentos: é necessário armazená-los em uma temperatura específica, em condições especificas. A Logística como um todo de medicamentos está em intensa revisão, sobretudo diante da importância que eles representam.

  • Esse aumento da demanda implica em maior procura por condomínios logístico. Como o Cone está trabalhando para suprir esta demanda?

Especificamente em relação ao e-commerce, o Cone já vem trabalhando para os novos empreendimentos, adequando os projetos de estruturas de armazenagem ao atendimento destas novas operações, que exigem áreas bem maiores. Elas não são somente áreas de armazenagem, são áreas de recebimento e expedição, já pensando na entrega dos pedidos ao consumidor.

Há todo um processo de triagem que vai ser desenvolvido diretamente voltado a esta armazenagem. A quantidade de pessoas envolvidas neste processo se multiplica por dez ou quinze vezes em relação à quantidade de pessoas para a logística tradicional. As áreas precisam ser pensadas já nestas condições, tudo no mesmo espaço. Você sai do número de cinco ou seis pessoas em cada mil metros quadrados para cinquenta sessenta pessoas. Muda-se bastante a infraestrutura. Já temos galpões e projetos já adequados a esta nova realidade, tanto em funcionamento como em construção.

Em relação a armazéns frigorificados e climatizados, estamos finalizando a construção de novos galpões de última geração, com o raciocínio cada vez mais voltado à eficiência energética e seguindo rigorosamente normas internacionais, tanto para recepção de alimentos quanto de medicamentos. É um projeto que já estamos trabalhando neste novo modelo. E já estamos entregando o primeiro frigorificado desta nova geração, nestas novas características.


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